Analisando Cappie
Resolvi fazer uma “leitura” (ou um "estudo de caso"?) do personagem Cappie, uma vez que ele me suscitou (talvez também a vocês) uma série de perguntas intrigantes. Afinal, ele não é muito simples de entender.
Para começar, nem sabemos o verdadeiro nome dele:
Cappie é um apelido. Segundo ele próprio, seu verdadeiro nome é algo “hippie com um afinado senso de ironia”. Acredito que ele use esse apelido mesmo antes de entrar na fraternidade, porque – embora algumas pessoas cogitem que Cappie venha de Kappa (dos Kappa Tau) – ele como calouro não poderia já ter o apelido da fraternidade se ainda estava concorrendo a ela como candidato. Quando como no começo apareceu o Calvin vendo todas aquelas fraternidades com nomes e estórias diferentes, o Cappie pode muito bem ter chegado e pensado (ou dito): ‘Kappa Tau? Uau, que coincidência, meu nome é Cappie’. Antes do episódio 9, rumores haviam de que ele teria um nome comum, como Charles ou outra coisa com C que gerasse um diminutivo, mas vimos que não se trata disso. A coisa é mais complicada.
Outra coisa que sabemos é que ele esteve em um acampamento há 10 anos atrás e – já nessa época – era uma figura popular, e conhecida como Cappie. Isso retira a hipótese de alguns fãs que dizem que ele poderia ter sido como um Rusty, que entrou inteligente e virou festeiro. Inteligente ele é, mas não era um ‘geek’, era desejável e popular.
A inteligência dele nós comprovamos pelas especializações que ele volta e meia revela ter passado, ou tentado. Biologia (ele diz que cursou), Psicologia (quando sabe os procedimentos do experimento com Rebecca), Física (quando comenta sobre a teoria da inércia para Rusty), Latim (quando desafia o Travis no Dobler’s)... Ele fala desses ‘majors’ no passado, mas – que eu me lembre – ele não disse o atual que está cursando. Parece que seu cérebro consegue manter várias informações (ele se sairia bem em um jogo de perguntas), tipo como uma memória fotográfica, pois já demonstrou que retém frases e fórmulas muito bem. No estudo com a Casey, ele relata o mito de Prometeu dizendo que o leu num livro, e ela duvida que ele tenha aprendido tudo aquilo em uma noite.
Talvez ele seja uma pessoa que se interesse por várias áreas do conhecimento e poderia ser bem sucedido em praticamente qualquer uma delas (uma espécie de gênio), e tenha se perdido no meio do processo de escolher o que fazer. Ele pode ter se visto tão confuso que decidiu esquecer de tentar fazer o seu melhor e simplesmente ter uma vida mais divertida.
Ele também provavelmente tirava boas notas, já que – em uma cena em que Rusty diz que sempre tirou ‘A’ e os garotos o vaiam – Cappie diz “macaco não deve matar macaco”, tipo como não se deve reprovar alguém da mesma espécie sua, um semelhante seu. E, a despeito da crença de Casey de que ele não vá ser nada na vida, acho que no final descobriremos que todos esses cursos não foram totalmente aleatórios, e ele pode se formar com três títulos, em vez de um só. Ele pode ter tentado ser como Rusty, um garoto focado em um tema específico, e depois simplesmente voltou atrás quando percebeu que isso era besteira e que ele poderia criar sua própria educação, cursando tudo o que lhe interessasse.
Sua habilidade de equilibrar diversão, escola e a fraternidade, também é incrível. Rusty nos mostrou que não é nada fácil atender a essas três coisas, mas Cappie consegue fazer isso. Ele pode ter começado como um garoto brilhante que quis se divertir um pouco e acabou se reinventando.
Talvez ele tenha começado não querendo ser irresponsável como seus pais hippies, e depois tenha decidido que não poderia ser perfeito e não poderia lutar contra essa criação/herança de uma ‘vida de prazeres’. Ele parece tanto querer se afastar de suas origens que nem mesmo o sobrenome ele permite que coloquem nos trabalhos escritos que faz. Ele também menciona que sempre quis ter um cachorro, o que talvez seja mais um ressentimento que ele tenha de seus pais. Mas no final, como prevê a Psicologia Analítica, nós acabamos nos tornando o que tanto negamos, e ele tenha se transformado exatamente no que eram seus pais, pelo menos em uma coisa: a de ter a filosofia de fazer da vida algo prazeroso e divertido.